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Chupeta: uma aliada ou inimiga do bebê?
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A sucção nutritiva faz parte da sobrevivência do recém-nascido, pois é por meio dela que ele obtém seu alimento. O reflexo de sucção já está presente a partir da décima oitava semana de vida intra-uterina graças à sábia natureza. A dúvida cruel sobre usar ou não a chupeta aparece quando as mães, em especial, percebem que além da função nutritiva, a sucção é também uma fonte de prazer, que traz estabilidade e conforto, e assim utilizam a chupeta na tentativa de deixar o bebê mais tranqüilo.
Toda mamãe de primeira viagem tem dúvidas de como e quando ela pode mudar os hábitos do bebê, inclusive se deve dar ou não a chupeta. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) identificou que mais de 60% das mães de 97 crianças avaliadas ofereceram chupeta aos filhos antes que eles completassem três meses.
Para a fonoaudióloga Zelita Ferreira Caldeira, os motivos são diversos e vão desde fome, dor de barriga ou mesmo a ansiedade e o nervosismo da mãe, que está com dificuldade de lidar com o choro do bebê, e por isso utiliza-se de tudo que estiver ao seu alcance - no caso, a chupeta - para que o bebê pare de chorar: "A questão é que muitas vezes as mães dão a chupeta sem nem mesmo olhar se a fralda da criança está suja".
A sucção não nutritiva tem suas indicações clínicas para bebês com menos de 37 semanas ou que apresentem dificuldade para sugar o seio materno. Eles podem se beneficiar com o uso da chupeta, desde que esta seja ortodôntica e utilizada com o monitoramento de um profissional habilitado para treino das estruturas que participam dessa função.
Para os bebês prematuros e que não apresentem dificuldades na amamentação, a orientação é que evitem a chupeta, principalmente nos primeiros dias de vida, pois o bebê pode fazer confusão de bicos (seio materno x chupeta) e passar a ter dificuldade em sugar o seio materno.
As consequências do uso inadequado da chupeta
O uso da chupeta não-ortodôntica pode trazer alterações da arcada dentária e, conseqüentemente, dificuldades na fala. É importante ressaltar que a sucção do dedinho, também não nutritiva, é mais prejudicial à arcada dentária. "Para as mamães que já caíram na tentação do uso da chupeta ou para as que estão prestes a isso, a sugestão é que ofereçam somente a chupeta ortodôntica para que essa possível aliada não se transforme em vilã no futuro", orienta a médica.
Segundo a especialista, se a criança mais velha que ainda tem por hábito manter a chupeta o tempo todo na boca começa a falar, poderá perder o contato dos pontos articulatórios para a emissão dos sons da fala, e isso pode contribuir muito para o aparecimento de distorções.
Uma curiosidade
Você sabia que os bebês que fazem a sucção não nutritiva (dedinho) podem ficar mais alertas? "É importante ressaltar que, no caso de bebês prematuros, existem trabalhos que comprovam que a estimulação não nutritiva pode deixá-los mais alertas e, portanto, há uma eficiência maior no momento da alimentação, quando se passa para via oral. O treino é feito antes e durante a alimentação com sonda", explica Zelita.
O uso da chupeta é uma questão cultural
O bebê tem o reflexo de sucção até os três meses. Depois disso, o ato é voluntário. Entre os cinco e seis meses, a criança começa a ter o reflexo de mordida que a prepara para a mastigação de alimentos sólidos.
Para a Dra. Zelita, obedecer esta cronologia natural do ser humano não trará problemas, porque o uso da chupeta é muito mais cultural. "É importante que a mãe perceba o que o bebê está tentando transmitir quando chora: dor, sono, fome, irritação? E atender a essas necessidades sem ter de substituí-las pelo uso genérico da chupeta", conclui.
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