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Técnica usa imagens em três dimensões para aumentar sucesso de implante dentário
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Greice Rodrigues
Um sistema de imagens em três dimensões associado a um programa de computador chamado de prototipagem biomédica é o novo recurso usado nas cirurgias para implantes dentários. A técnica baseia-se no envio de imagens obtidas por tomografias ou por ressonância magnética dos ossos da face a um software, o que possibilita o planejamento virtual da cirurgia. Por meio desse instrumento, é possível criar um protótipo da boca e simular a intervenção levando em conta dados como a estrutura óssea do paciente.
As imagens registradas também são encaminhadas a um laboratório especializado, onde servirão de base para a criação de um molde fiel de toda a boca do paciente, inclusive com o modelo da peça a ser implantada. Essa réplica contém não só o formato da arcada, mas aponta a localização de nervos, cavidades e outros
detalhes. “Com esse modelo em mãos o implante é feito sem riscos de acidentes anatômicos, como atingir nervos ou cavidades. Tudo aparece calculado, até a densidade óssea da região que sofrerá a intervenção. De forma segura, a cirurgia é realizada em um curto espaço de tempo”, afirma o cirurgião Eduardo Machado de Carvalho, de São Paulo.
Normalmente, os dentistas usam a radiografia para verificar as condições da arcada dentária. No entanto, o recurso é limitado. “Só descobríamos que o osso tinha alguma deformação no momento da cirurgia. Às vezes era um defeito, por exemplo, que tínhamos de corrigir com enxertos”, conta Machado de Carvalho. A novidade, que começa a ser usada em clínicas de São Paulo, Brasília e Salvador, foi criada por um grupo de cirurgiões e radiologistas a partir de um modelo semelhante feito na Bélgica. Um implante com essa tecnologia fica entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil, por dente.
Redação
Costuma-se dizer que o principal diferencial do homem em relação aos outros animais é o raciocínio. Talvez se possa acrescentar que, na luta pela sobrevivência das espécies, a principal vantagem da raça humana seja a capacidade de comunicação. Sabemos que outras espécies também dominam formas rudimentares de contato, através de sons ou códigos corporais, por exemplo. Mas só a raça humana levou a comunicação a um grau de refinamento que permitiu chegar às sociedades.
Se é verdade que o homem descende dos macacos, é razoável supor que nossos ancestrais viviam em árvores, como os símios. Na escala histórica, foi decisivo o passo de abandonar a segurança dos galhos para ampliar os limites humanos no chão. Isso oferecia uma perspectiva melhor de obtenção de alimento e abrigo, além de dar ao homem um alcance geográfico desafiador. Mas também criava uma série de ameaças. Erguendo-se sobre o próprio tronco, o homem provavelmente passou a ter, além de problemas na coluna vertebral, a concorrência de predadores difíceis de enfrentar. E deve ter sido relativamente rápido perceber que, em grupos, era mais fácil defender a sobrevivência. Isso posto, a questão maior provavelmente foi como estabelecer as bases dessas associações. Disso provavelmente resultou a comunicação e sua evolução.
A ligação entre evolução e comunição é tamanha, que chegamos a nos perguntar qual delas foi mais determinante para o aperfeiçoamento da outra. Uma vez decidido que era mais razoável atacar as presas em grupos, defender as crias em conjunto e dividir o resultado dessa cooperação, o homem precisou estabelecer códigos para seu convívio. Os próprios códigos, e sua propagação, são a essência mesma da comunicação humana.
A sofisticação dessa troca de conceitos exercitou áreas do pensamento humano que estimularam outra habilidade inerente ao homem: a arte. Uma vez precisando se comunicar, percebeu-se que era possível fazê-lo não apenas através da vocalização ou do gestual, mas através de códices mais elaborados, como a pintura, a escultura, até mesmo a expressão facial. E dos entalhes e desenhos nas cavernas, trafegamos por um caminho que nos levou aos livros, ao telefone, ao rádio, à televisão, à internet.
A internet talvez seja a mais recente conseqüência do longo passo humano da árvore ao chão. E como todas as revoluções, implica em mudanças de hábitos e valores. É estimulante, mas também assustador. É reconfortante saber que o mundo está ao alcance de um toque na tecla. Mas também é preocupante imaginar que o imenso fluxo de informações nos esteja privando de exercitar as formas mais diretas de comunicação. Talvez seja esse o grande desafio futuro: aprender a usar as ferramentas modernas da comunicão, sem retroceder na intuição que a evolução nos proporcionou. Por isso, quem sabe, antes do próximo toque no teclado, seja interessante contemplar um quadro na parede. E se o destinatário do próximo e-mail estiver ao alcance de uma comunicação mais direta, um convite para um cafezinho pode ser mais estimulante e agradável. Se for debaixo de uma árvore, será mera coincidência.
Humberto de Campos
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